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Promoção encerrada

novembro 12, 2008

Pronto, chega! Acabou o prazo. Recebi as receitas todas por e-mail, então se alguém acha que sua receita “sumiu”, não precisa se procupar. Está tudo aqui comigo.

O próximo passo é fazer as compras, convidar a cambada de “juízes” (faz-me rir), e botar as receitas à prova.

Aguardem mais uns dias.

Promoção Nigella Express

outubro 24, 2008

Quer ganhar um exemplar do livro Nigella Express — mais recente publicação da saborosa Chef inglesa Nigella Lawson — que a Ediouro está lançando no Brasil? Então ponha a cabeça para funcionar e, até 10 de novembro de 2008:

1) Escreva uma frase de até 20 palavras incluindo “Nigella” e “rapidinha“, não necessariamente nesta ordem,

2) escreva uma receita (que pode ser de entrada, salada, sopa, prato principal, sobremesa ou bebida, tanto faz), que possa ser preparada em até 15 minutos(*),

3) e cole a frase e a receita nos comentários deste post.

As frases serão todas publicadas neste blog, ao final da promoção,  dando destaque às cinco melhores, com links para os blogs de seus autores. As receitas serão testadas por mim, todas num só dia, e julgadas por gulosos convidados e pela ala paulista do OPS!, em data a ser estipulada. O autor da receita vencedora leva o livro.

Dúvidas? É só perguntar pelos comentários.

(*) É permitido que a receita leve ingredientes preparados anteriormente — como arroz cozido para um bolinho de arroz, por exemplo —, mas é recomendável que a receita não exija ingredientes caros, muito típicos ou difíceis de encontrar.

Uma distinta senhora inglesa, um livro e suas rapidinhas

outubro 24, 2008

Ainda não descobri por que motivo, mas fui convidado para escrever uma resenha sobre o mais recente lançamento de Nigella Lawson, a sexy-chef inglesa que acumula admiradores por todo o mundo — alguns verdadeiros interessados por boa culinária, outros apenas safados que gostam mesmo é de uma boa cozinheira. Eu, diga-se de passagem, encaixo-me (por assim dizer) nas duas categorias. Olha, pensando bem, até que me sobram predicados para falar deste livro.

Tenho uma birra antiga com livros de receitas, e vou falar disso em outro post. Mas confesso que, com este, não há como implicar. Começa que o catatau de quase 400 páginas é um primor de trabalho gráfico e vale cada centavo do seu preço. Capa dura laminada (o que faz o livro adequado ao ambiente úmido da cozinha), miolo em couchê fosco impresso em quatro cores, ilustradíssimo, detalhadíssimo, de conteúdo precisamente organizado em treze seções, com as receitas separadas por intenção ou ocasião (jantar rápido, recebendo amigos, clássicos ligeiros, café-da-manhã, festas rápidas, improviso, comida italiana, mexicana, e por aí vai), dando um significado muito mais nobre à expressão “fast-food”, tão avacalhada pelos restaurantes e lanchonetes que infestam as esquinas de todo o mundo.

A idéia da autora foi reunir receitas de pratos que possam ser prepararados em pouco tempo — incluindo alguns que, mesmo sendo de manipulação rápida, podem exigir preparo anterior. Apesar de ser um diferencial bastante batido, o que vejo por aí nesse gênero normalmente me faz optar, na hora da pressa, pelo “Miojo Kosovo”, tamanha a imprecisão e descuido do que encontro.

Mas “impreciso” não é um adjetivo que se possa usar para este livro. Estou aqui me debatendo há algumas horas na escolha da receita que consiga reunir tudo o que quero dizer, mas a tarefa é complicada. Antes que me afogue em baba, vou então mencionar uma receita que está olhando para mim desde o começo: Tomates ao forno (pág 126).

“Nada de mais”, diria o chato. Pois é, nada de mais, mas Nigella pega ingredientes prosaicos (1/2 kg de tomates-cereja, sal, açúcar, tomilho seco, azeite de oliva) e transforma essa bobagem num acompanhamento delicioso, ainda mais para mim que sou dependente de tomate desde a tenra infância. E, mais interessante, o pulo-do-gato nem está nos ingredientes, mas no modo de preparo: aqueça o forno, ponha-lhe a travessa com tudo arrumado, desligue o forno e vá dormir, deixando os tomates lá dentro até a manhã seguinte.

Quem gosta de cozinhar, sabe da importância que há em conhecer alguma história da receita, de se obter referências que aproximem cozinheiro e prato, de “pessoalizar” a comida. Acredito que seja por isso que consigo melhores resultados com o que recolho quando vejo alguém cozinhar, e que seja esta a razão do sucesso dos programas culinários de TV, notadamente o de Nigella. Enquanto vou descobrindo ingredientes, quantidades e modo de preparo, tenho também oportunidade de perceber o que sente e pensa quem cozinha. Isso seria um problema para um livro de culinária mas, também nesse quesito, Nigella dá um banho em seu “Express”: difícil encontrar uma receita que não seja precedida de um papo, um comentário, uma historinha, sempre uma conversa interessante que, por aproximar leitor e receita, passa um pouco da sensação que se tem ao vê-la dirigindo panelas na TV.

Bons exemplos disso podem ser vistos no link que a editora liberou: duas receitas do livro para download (em pdf), o Curry de camarões e manga e a Torta de frango, cogumelos e bacon. Repare na qualidade das “preliminares”, e em como Nigella indica possibilidades de subversão das próprias receitas. Isso é cozinhar, o resto é fast-food (no mau sentido).

Poderia falar aqui por muitas horas sobre esse livro, indicar, comentar, propor experiências. Como não é possível, encerro falando de um detalhe pouco culinário, mas também muito agradável aos sentidos: o livro traz, além de centenas de saborosas imagens dos pratos, algumas (poucas, umas dez) fotos de Nigella, tão saborosa quanto suas bistecas e melões.

Visite o hot-site do livro, feito para todos os gostos, desde interessados em adquirir a obra (há links para as principais livrarias) até os marmanjos de intenções nada culinárias, que podem baixar um wallpaper em que Nigella aparece segurando o espaguetão. Mas repare no detalhe, pequeno safado: ela usa aliança na mão esquerda.

Agora é sua vez: participe da promoção OPS/Nigella Express. Envie uma receita rapidinha e uma frase sobre a Nigella pelos comentários do post com o regulamento (clique aqui). A melhor receita fatura um exemplar do livro. Mais que isso, só se for na boquinha!

Da natureza botânica dos peixes (com adendo esclarecedor)

outubro 15, 2008

De uns tempos pra cá, tenho reparado numas coisas.

Coisa 1, versão A
Um dia, o pai, caçador por esporte, presenteia o filho com sua primeira espingarda. Combinam que, no próximo final de semana, vão ao interior para caçar. Na volta, trazem a geladeira de isopor cheia de codornas, perdizes, uma pequena capivara. Um vizinho os vê descarregar o porta-malas e não se contém:
— Assassinos! Não têm vergonha não?
Coisa 1, versão B
Um dia, o pai, pescador por esporte, presenteia o filho com sua primeira vara de pesca. Combinam que, no próximo final de semana, vão ao litoral para pescar. Na volta, trazem a geladeira de isopor cheia de sardinhas, tainhas, um caçãozinho. Um vizinho os vê descarregar o porta-malas e não se contém:
— Que beleza, hein? Se vocês não conseguirem dar conta disso tudo, tô nessa!

Coisa 2, versão A
O filme mostra um boi sendo morto no matadouro. Entra por um corredor, assustado, raspando chifres. No final do corredor, espera-o um homem com uma faca. O boi dá mais um passo, o homem crava-lhe a faca na nuca. O boi cai ao chão instantaneamente, estrebucha sobre uma poça de sangue, ronca e bufa, mas ainda está vivo quando lhe cortam os pés para começar a lhe tirar o couro pelas patas. Na platéia, todos juram que nunca mais comem um bife. Estão chocados.
Coisa 2, versão B
A família acampada na beira do rio, o homem pescando, sentado em seu banquinho. Sente a linha esticar, destrava o molinete. Puxa, solta, deixa o bicho correr pra achar que manda, trava o molinete, puxa de volta. Cansa o bicho. Esse é dos grandes. Meia hora de briga, o dourado estrebucha na terra da margem do rio, beiço rasgado do anzol, boca aberta de quem se afoga, bate o rabo. O homem lhe põe o pé em cima e dá com o facão no alto da cabeça. A filha pequena bate palmas e saltita. A mãe vai procurar a frigideira pensando como poderia não amar esse homem.

Coisa 3, versão A
O homem gosta de canários, tem alguns em casa, engaiolados. Sempre que aparece visita, tem que aturar alguém dizendo:
— Você não tem vergonha, não? Tadinhos dos bichinhos, condenados a morrer nessas gaiolas!
Coisa 3, versão B
O homem gosta de peixes, tem um aquário lindo, repleto de peixes de todas as cores, formatos, tamanhos. Sempre que aparece visita em casa, alguém diz:
— Nossa, olhar isso é tão relaxante… quase hipnótico, não?

Coisa 4
Casal de namorados no boteco, tomando cerveja. Pinta uma fome, e ele diz:
— Que tal uma lingüicinha frita?
— Credo! — resmunga ela. — Que nojo…
— Um filezinho com alho?
— Puáh!
— Pode ser sem alho…
— Não é o alho que me incomoda. É o filé.
— Frango à passarinho?
— Você ainda não entendeu que eu não como carne?
— Desculpe, não sabia. Então pega, escolhe você.
Ela folheia o cardápio com olhar desconfiado e, de repente, seu rosto se ilumina:
— Que tal estas iscas de surubim?

Conclusão: ser morto para ser comido deve ser uma merda, mas morrer como um nabo, sem que ninguém perceba que o está matando, isso sim, é desumano.

Adendo esclarecedor: Percebi, pelas respostas recebidas nos comentários deste post, que este texto soou para alguns leitores como fosse uma defesa ao vegetarianismo ou, no mínimo, como sugestão para que o peixe fosse excluído de uma dieta verdadeiramente vegetariana. Não foi essa a minha intenção, até porque o vegetarianismo é prática de que pretendo permanecer afastado pelo máximo de tempo que conseguir, e que, portanto, sequer desejo mencionar.

O que pretendi ao escrever foi apenas dar ao peixe o valor de animal que tem porque o é, e que só ignorado porque esse animal não tem pulmões e, por isso, não consegue gritar quando morre (obrigado, Allan, bem lembrado).

Estudo comparativo de culinária

setembro 25, 2007

Cada país tem a Nigella Lawson que merece…

Clique aqui para ver o vídeo.

“Tá cheirando bom?”
“A tampa soa.”
“É tudo de bom, né, bonitinha?”

E “os plural”? E o boneco com icterícia? Isso sim que é Food Porn. Pura sacanagem!

Curry de músculo à moda da (minha) casa

setembro 23, 2007

Ao terminar de ler esta receita, você se perguntará: “Peraí! Isso é uma receita de carne ou de macarrão?”. Responda como quiser. Eu diria: “Coma e não bufe! Que diferença faz o nome?”.

Na verdade, as possibilidades do prato são duas: se você cozinhar a carne por menos tempo, terá pedaços inteiros (carne com macarrão); se cozinhar por mais tempo, a carne se desfará, e você terá um macarrão com molho de carne. Esta receita é para a segunda opção.

Equipamento:
Uma panela de pressão (2,5 litros), uma panela grande (5 litros), uma faca boa (para cortar a carne sem serrá-la), uma colher de pau ou bambu. Se você tiver uma panela de pressão de 5 litros, melhor: faz tudo num lugar só.

Ingredientes:
• 1 kg de músculo dianteiro. É sabido que os bois são veículos de tração traseira, daí a preferência pela sua “parte pós”, mais macia por ter tido menos uso. No entanto, depois de separadas do resto do boi, é difícil saber de que eixo veio a peça, e você vai ter que fazer o mesmo que eu: acreditar no que o açougueiro disser;
• 1 paio pequeno. Paio é paio, tanto faz. Ajuda se não estiver fedendo.
• Toucinho com pouca gordura, em quantidade igual à do paio. Sim, toucinho. Bacon é coisa de viado;
• Lingüiça portuguesa. Aqui, um problema para você resolver. A lingüiça a que me refiro (o cabo de guarda-chuva da foto acima) era mesmo portuguesa, com sotaque de Trás-os-Montes e tudo. Na falta de uma amiga retornando de Portugal com algumas destas a perfumar-lhe as roupas, minha recomendação é que você procure por uma lingüiça assemelhada na feira mais próxima. É fácil de se reconhecer uma boa portuguesa: ela é horrorosa, murcha, seca e fosca (refiro-me à lingüiça, é claro). Qualquer uma serve. O importante é ignorar as produzidas pelos grandes frigoríficos, lustrosas e estufadas;
• 1 cebola e meia, das grandes. Ou duas. Pode até ser mais. Não é isso que vai estragar o prato;
• 1 pacote de 1/2 kg de macarrão. Por disposição da minha senhoura, que acabou saindo para comprar o penne rigatti que se vê na imagem de abertura deste post, não usei o spaghetti da foto dos ingredientes. Ainda bem, porque essa massa de sêmola é uma bela merda;
• 1 lata de molho de tomate. Não aparece na foto porque me esqueci de colocar, ué! Não posso me lembrar de tudo!;
• Temperos: alho (1 colher de sobremesa), sal (a seu gosto), azeite (uns 50 ml), páprica picante (uma colher de sopa) e, é claro, o curry (1 colher de sopa ou mais, você manda).
Há curries para todos os gostos e bolsos. Eu me dou muito bem com este tal Índia, encontrável em muitos supermercados.

Preparação:
Limpe e corte a carne em pedaços pequenos. O músculo — conforme a profissão do falecido e a honestidade do açougueiro — pode conter umas partes “plásticas”, uma espécie de polipropileno animal pelo meio do músculo propriamente dito. É bom retirar o que for possível, mas sem arriscar a integridade de seus dedos, pois o que não sair na faca será destruído pela panela de pressão.

Pique a cebola, o paio, o toucinho e a lingüiça. Aqueça o azeite na panela e coloque os picados para fritar. Mexa sempre para evitar que a cebola grude.

Quando tudo estiver frito (quanto mais frito, melhor, mas evite o ponto de carvão), despeje-lhe a carne, as poeiras (sal, curry e páprica), e misture tudo até obter uma homogênea confusão visual.

Adicione 1 litro de água, mas saiba de antemão que as quantidades de água a adicionar nos próximos cozimentos (serão dois ou três) podem depender da potência de seu fogão e da vazão da válvula de sua panela.

Uma dica: Lembre-se de que o sal pode ser posto, jamais retirado. Adicione e experimente, adicione e experimente, até chegar no ponto que lhe agrade, sempre considerando que o macarrão lhe absorverá uma parte significativa e que, portanto, o molho pode até ficar um pouco salgado. Mas só um pouco.

Memorize o nível em que a água está. Por quê? Ora, porque eu sou um chato, e adoro inventar coisas idiotas para fazer o leitor de besta.

Feche a panela e conte 40 minutos de cozimento. Aos leigos, informo: por padrão internacional — regido por norma ISO e tudo — o tempo de cozimento em panela de pressão deve ser contado apenas quando a válvula começa a soprar. E se demorar a soprar, saia de perto, que a porra vai explodir.

Outra dica: Aproveite que vai ficar 40 minutos sem fazer nada, e lave a louça que sujou até agora. Como a louça não é muita, vai ficar tudo bem limpinho, não vai?

Passados os 40 minutos, abra a panela — e digo isto com a esperança de que você seja capaz de abrir uma panela de pressão em uso sem se matar e/ou emporcalhar sua casa inteira. Quem não tem competência, que não se estabeleça. Lembra do nível em que estava a água ao fechar da panela? Pois adicione o suficiente para que tudo volte ao que era há 40 minutos atrás.

Feche a panela e lhe dê mais uma carga de 40 minutos (a segunda). Agora decida. Quer carne com macarrão? Vá ao passo seguinte. Quer macarrão com molho de carne? Dê um terceiro cozimento de 40 minutos, sempre completando a água para chegar ao nível do início.

Ao abrir a panela, você deverá encontar algo parecido com o que está na foto ao lado, muito semelhante ao que estava na foto anterior, mas mais macio. E com todo o polipropileno dissolvido.

Despeje todo o conteúdo da panela de pressão na outra, maior.

Adicione um litro de água, o molho de tomate e espere ferver, coisa que acontecerá com certa dificuldade, porque o caldo está grosso, e vai ferver como lava.

Adicione o macarrão ao borbulhar da lava. Mexa tudo sem parar — e quando digo “sem parar” quero dizer exatamente isto: sem parar — durante 10 minutos. Se você for dos(as) que mexem direitinho, haverá boa possibilidade de obter o que está ao lado.

 

Sirva usando uma escumadeira para escorrer parte do molho, atentando para um detalhe: comida farta-bruto fica melhor em prato fundo. Dá uma olhada:

Há quem ponha queijo ralado. Eu prefiro sem nada. Sim, eu também podia ter posto uma folhinha de qualquer coisa por cima, só pra enfeitar. Mas não quero que duvidem de minha masculinidade.

Agora vê se capricha, porque deu um trabalho dos diabos para escrever esta receita!

Sexulinária inglesa

setembro 18, 2007

Dizem os franceses (notadamente Obelix, o gaulês) que a culinária inglesa é a mais broxante que há sobre a face da Terra. Outros maledicentes costumam também mencionar que a estupenda variedade de vegetais que os ingleses apreciam (a batata) é consumida em múltiplas e variadas combinações com uma infinita gama de temperos (a manteiga), produzindo uma culinária única, com sabor de batata com manteiga. Não posso dar certeza de nada disso pois, que me lembre, a coisa mais inglesa que “comi” foi chá com leite num navio da Royal Mail Lines nos idos de 1964, o ano que teve sabor de vela apagada.

No entanto, é preciso dizer que há controvérsias, e a maior responsável por elas é Nigella Lawson, a bem fornida senhora que exibe seus English Muffins na foto ao lado. Como este blog ainda está em fase de apresentações, apresento-a a quem não a conhece, até porque ela ajuda — ai, como ajuda! — a confirmar minhas teorias.

Na primeira vez que a vi num programa do canal GNT, confesso, não entendi por que uma mulher com sotaque tão britânico podia cozinhar tão bem e tão… como dizer?… apaixonadamente. Na ocasião, Nigella preparava um brownie enquanto assava uma torta de frutas. Ia narrando o que fazia, lambia os dedos, lubrificava as travessas, felava uma colher de pau, acariciava o saco de chocolate, suspirava e gemia de paixão enquanto apertava uma barra de manteiga por entre os dedos. Ou era tudo imaginação minha, não posso garantir.

Nigella inaugurou um novo estilo de programa culinário e, para isso, deve ter tido apoio de algum executivo muito inteligente de sua emissora, porque na visão embaçada dos nossos, o programa tinha tudo para dar com os burros n’água. Primeiro, Nigella é mulher. Qual telespectadora se interessaria por assistir a uma mulher ensinando-a a fazer bolinhos e creminhos? Segundo, ainda mais uma bruta mulher como essa! Seu rosto bonito e a expressão safada — itens muito bem explorados pela direção do programa, que grava quase tudo em close — chamam mais a atenção do que o que ela efetivamente prepara. Perceberam-lhe o potencial e, para equilibrar a testosterona, alguém se lembrou de — ocasionalmente — chamar as crianças para dar um ar — eu disse ocasionalmente — maternal ao programa. Só era preciso mesmo encontrar quem fosse suficientemente sensível e inteligente para perceber que essa mulher cozinhando é pura sacanagem e — por isso — sucesso garantido. E é bom descobrir por aí que não estou sozinho. Mas ela diz que não é bem assim. Sei. Não é à toa que estão chamando o estilo de Food Porn.

Bom mesmo é perceber que, numa avaliação que considere os atuais padrões de “beleza” (entre aspas por motivos óbvios), a moça tem tudo errado: mais de trinta anos (cuíca 40)*, mais de setenta quilos, mais de um metro de bunda, e ainda beira isso de peitos. Mas não deve ter sido difícil alguém perceber que Nigella é, com perdão da má palavra, um bucetão. E que ainda cozinha! E lambe os dedos!

É por isso que trago Nigella à mesa como a comprovação de minhas teorias. E para quem nunca a viu em ação, mostro um clipe escolhido a dedo: Nigella preparando um chocolatinho quente, coisinha prosaica para tomar antes de dormir. Os marmanjos, por favor, não babem no teclado na parte que ela diz que gosta de rum.

Tá, primeiro assista, e depois me diga que eu sou doente.

 

(*) Fui conferir depois. Ela é de 1960. Cuíca, nada: a moça tinha mais de 40 quando gravou os tais programas.